Sophia Narrando
Brigas, desentendimentos…Talvez fosse melhor se nada disso existisse, se pessoas que se amam vivessem sua eternidade sem isso, sem esses detalhes que destroem a todos os dias casais apaixonados…Talvez fosse melhor que a “minha metade da laranja” fosse completamente “blindado” a esses deslizes e controvérsias que existem em namoros, talvez seria bem melhor que todos os relacionamentos tivessem beijos, amasso, juras, conversas a vida interia, e que brigas fossem apenas vistos em filmes…Mas sei lá, talvez lá no fundo, bem lá no fundo, a briga seja necessário, ela sempre nos mostra que quem nos merece volta no final.
Agora lá estava eu, sentada no chão do banheiro, aos prantos. Odiava quando Micael me deixava sozinha, sentia um vazio tão grande, tinha medo de que nessas saídas a vida fosse cruel mais uma vez e o levasse de mim para sempre…era desnecessário isso, eu sabia, mas a gente não segura os medos, nem as incertezas, elas aparecem assim, de repente, e logo agora que a gente se desentendeu ele teve que sair, o que me deixou mas apavorada do que o normal….Depois que ele saiu encontrei alguma coisa “descente” para vestir e guardei as demais roupas, pensando no que iria fazer com elas, mas isso não importava. Fui imediatamente para o banheiro e aqui estou até o presente momento…Já olhei a gaveta umas cem vezes, às vezes abro um pouquinho, outras me afasto e assim, nesse processo creio que já se passou muito tempo, às vezes quero ver o resultado, mas outras vezes acho que será doloroso demais saber que é tudo da minha cabeça…Mas estava certa de uma coisa, de hoje não passaria, Micael estaria de volta logo, então precisava tomar uma decisão ou melhor precisava acabar com isso de uma vez por todas, com medo ou sem medo eu ia encarar a realidade, que por mais cruel que às vezes possa parecer é a nossa REALIDADE.
Depois que fugi de meus pensamentos, me levantei depressa e fui ao quarto novamente e comecei a procurar uma caixa, até que encontrei uma antiga, sua aparência não era das melhores, mas com um toque feminino ficaria perfeito para ocasião. Então, mais que depressa comecei a decorá-la com alguns papéis, sempre fui muito boa em restauração de coisas antigas, e aquela seria minha obra principal…Quando terminei fui ao meu guarda-roupa e comecei a procurar os sapatos de bebê que Micael havia me dado, na certa ele escondeu de mim, sabia que quando ficava mal pela perca do bebê eu me refugiava naquele objeto, e era assim, com ele nas mãos que um filme passava em minha cabeça, sempre era assim, quando pegava os pequenos sapatinhos ficava imaginando como estaríamos hoje com nosso filho, na certa ele já estaria grande, correndo pela casa quem sabe, e até me causando nervoso, mas o melhor de tudo, ele estaria me dando uma alegria sem tamanho, não só a mim, mas a Micael, Ahh claro, eu nem consigo imaginar como Micael ficaria com ele, fico imaginando o quanto seria mimado, amado….Mas agora, tudo é diferente, e não quero pensar nisso, seguro minhas lágrimas, respiro fundo e continuo a busca….Agora estou em cima de uma cadeira procurando na parte mais alta do guarda roupa até que minhas mãos encostaram em uma caixinha pequena, ele estava ali, os pequenos sapatinhos estavam ali dentro, e com isso minha “missão” estava quase concluída.
Ao pegar o pequeno objeto, saí lentamente de cima da cadeira e fui correndo para o banheiro, me sentei ao chão novamente e assim, com a caixa e os sapatinhos nas mãos eu abri lentamente a gaveta, minhas mãos tremiam, temendo o resultado que estaria ali e para minha surpresa, o resultado do teste tinha ficado para baixo me impedindo assim de ver, suspirei aliviada e naquele momento eu sabia que nós dois, eu e Micael deveríamos ver aquilo juntos, na mesma hora o tirei rapidamente da gaveta e o coloquei dentro do sapatinho, encaixando assim na caixinha e ali passei uma fita nas cores rosa e azul e pronto, era só esperar o momento certo.
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