Narrador
Na ficção, tudo parece mágico e perfeito, mas há uma grande
desvantagem, não importa se o protagonista tem dezessete anos ou é um
moribundo, se é novela, ou filme, mas todos eles sempre têm um começo, um meio
e um fim. Nas nossas páginas da vida, algumas histórias simplesmente não têm
finais, e há sempre chances de uma reviravolta, pois a trama não se limita a
três, ou quatro personagens, tem sempre algum personagem novo chegando. Há quem
diga que queria viver um romance de filme, eu digo apenas que a vida real é
muito melhor, muito mais emocionante, sempre tem algo novo, uma aventura nova,
um aprendizado novo. Mas Sophia tinha medo dessa personagem nova que havia se
encaixado na história, medo do que ela poderia causar, sua vida estava
razoavelmente “boa” e temia que tudo mudasse, mas algo nela há deixava
confiante, era como se o coração avisasse que Micael seria dela sempre, não
importando o que acontecesse, ela sentia que sua história terminaria como tinha
que ser, com o “pra sempre”.
-Amor – Sophia chamava. Eles estavam no carro de volta para
casa. Foi difícil eles saírem da onde estavam, pra falar a verdade passaram a
tarde inteira no carro que se encontrava dentre os arbustos, e após muito custo
conseguiram pegar o caminho de volta para o apartamento.
-Que foi dengo – Micael dizia concentrado no trânsito que já o
estava deixando nervoso.
-Você ta com cara de bravo – ela dizia alisando seu rosto –
Precisa experimentar a paciência não acha?
-Eu sei, mas já viu que estamos parados há um tempo nesse
trânsito? Se continuarmos assim, vamos chegar amanhã.
-Que tal a gente se distrair um pouco? – ela perguntou
travessa - O momento é propício.
-(risos) Eu to ficando com medo – Micael disse gargalhando.
-Medo amor? Que horror, eu sou uma pessoa muito boa viu?
-Eu sei disso…Mas esse seu desejo ta me assustando – ele disse
sarcástico – E por outro lado estou amando.
-Claro que esta amando – ela disse e tirou o sinto de segurança
se inclinando para beijar Micael.
-Como eu queria chegar em casa logo – sorriu e deu-lhe mais um
beijo - Precisamos casar imediatamente!
-(risos) Pra que tanta pressa hein?
-Porque não vejo a hora de começarmos o nosso “sempre”.
-Hum…interessante – balançou a cabeça
-Se bem que…- Micael pensou – Casamento deve ser complicado,
imagina só olhar a cara da pessoa todos os dias? Deve ser um tédio – brincou
-O que ? – Sophia se irritou – Você está querendo dizer que
será tédio casar comigo?
-Não…eu suponho que casamento seja algo difícil.
-Então, esta falando da gente – ela virou-se para o vidro brava
– Não sei por que ainda permaneço aqui com você.
-Porque me ama!
-Infelizmente amo. Fazer o que, não mandamos no coração…
-Aiii amor para de drama…você sabe que estou brincando…
-Não sei de nada – ela cruzou os abraços.
-Eu te amo minha branquinha – ele disse e aproveitando que os
carros estavam parados, tirou o cinto de segurança e se curvou até ela beijando
seu ombro – Não fica assim.
-Assim como? Estou normal. Apenas tentando pensar no tédio que
será nosso casamento…
-Aposto que nunca provaremos essa palavra – ele respondeu e
começou a apertar a coxa de Sophia indo diretamente para sua intimidade, e se
surpreendeu ao ver que não continha nenhuma peça a cobrindo, virou-se para ela
e sorriu graciosamente.
-Não me olha desse jeito. Você quando a tirou a jogou em algum
lugar no carro que não consegui achar.
-Fiz um ótimo serviço então. Pelo menos facilita pra mim –
respondeu sorrindo.
-Nem pense ! Ainda estou chateada com você. Seus
comentários são os piores.
-Amor, você sabe que quero me casar com você mais que tudo não
sabe ? – alisou seu rosto
-Bom, estou na dúvida – sorriu.
-Pois bem, não fique ! Te quero eternamente.
-Muito bom saber disso – disse dengosa – Mas eu juro que se você
brincar com mais alguma coisa, te mando com mala e tudo pra casa daquela Vivi…
-(risos) Sophia. Pare de ciúmes !
-Não é ciúmes já disse. Só não gosto dessas pessoas mal educadas
que cruzam meu caminho.
-Assumir que está com medo de me perder é bem melhor sabia?
-Bobo ! – ela abaixou a cabeça – Talvez seja mesmo medo,
mas é bem pequeno, quase imperceptível.
-Sei….então deixa eu te mostrar que não precisa ter medo– ele a
abraçou serenamente e a beijou com vontade. Ficaram em trocas de carinhos até
que a mão de Micael começou a subir novamente a perna de Sophia e a mesma se
contraiu. Ele não a soltou, pelo contrário, prensou-se mais ao seu peito
sentindo toda a extensão de seu corpo. Sophia passou seus braços em volta do
pescoço de Micael e o puxou mais pra si. Permaneceram assim até que se ouviram
os carros buzinarem, o que os fez despertar.
-Acho que estamos congestionando algo – ela brincou .
-Droga ! Por mim esse trânsito podia permanecer até amanhã.
-Agora você quer né? – ela disse e fez Micael rir, logo em
seguida deu partida no carro andando mais alguns metros e do nada tudo parou
novamente e os dois se olharam vitoriosos.
-Hum…parece que o destino está a nosso favor – ela brincou
-Ele sempre está amor, sempre está – disse malicioso e beijou
com fúria os lábios de Sophia que a essa altura já estava se desfazendo por
dentro. Micael beijava seu pescoço e logo desceu para os seios da amada que
estavam quase saindo de sua blusa, ele sorriu vitorioso e beijou cada um deles
o que fez Sophia respirar concentrada para que não saísse da linha. Logo em
seguida ele começou acaricia lá e suas mãos foram voluntariamente parar em suas
pernas o que fez Sophia rir.
-Você invocou hoje com minhas pernas não acha?
-Uma pessoa me contou que se minhas mãos subirem mais um pouco
encontrarei o paraíso, então, quero descobrir que paraíso é esse sabe.
-Mais é um bobo mesmo – gargalhou – Um bobo que amo muito.
-Então me ame ainda mais – disse, e suas mãos ágeis já
haviam parado na intimidade de Sophia, ele sorriu como um menino travesso e
encarou os olhos dela – Mas já está assim? Tudo pra mim?
-Não brinque comigo Micael…- ela sussurrou com os olhos
fechados se deliciando pelo que estava acontecendo – Estamos…no trânsito…se
controle….
-Eu estou controlado amor, você é que esta num estado
anormal - sorriu vendo sua amada arqueando a cabeça para trás ao sentir seu
doce toque.
-Vai me pagar por isso – ela disse firme e tentou fechar
suas pernas, mas Micael impediu com suas mãos.
-Nem pense nisso…Já encontrei o paraíso, agora quero
explorá-lo, permita-me princesa.
-Amor…- ela dizia fraco – Aqui não…
-Só um pouquinho princesa, prometo – ele disse calmo e
Sophia afrouxou as pernas dando liberdade para que a mão de seu amado a
invadisse, de certo aquilo parecia loucura, afinal estavam no meio de um
trânsito, mas por outro lado, ela não podia negar algo a Micael, o jeito como
ele pedia, como a olhava, como a desejava era tão lindo, que dizer “não” era
praticamente impossível, sem contar que ela já ansiava por ele fazia tempo,
então acabou cedendo. Micael se aproximou de seu pescoço dando leves beijos em
várias regiões enquanto sua mão já a explorava por inteiro. Sophia colocou suas
mãos no banco do carro e apertava sem dó, aquilo era prazeroso demais, e ao
mesmo tempo enlouquecedor, pensava consigo. Era possível ouvir os gemidos que a
mesma soltava vez ou outra, como ele conseguia fazer isso? Não estava colado ao
seu corpo, somente a tocando, e só por fazer aquilo ela já se desmanchava
inteira no banco do carro, a sensação era de outro mundo, ela tinha certeza
daquilo. A cada toque sabia que ele era o seu homem para sempre, e nunca
ninguém a tocaria tão bem como ele, nunca deixaria outras digitais tocarem em
seu corpo, era as mãos dele que ansiaria sempre, até o final de seus
dias…Micael também aproveitava o momento, a menina inocente que ele havia
conhecido estava lá, no banco do carro completamente rendida à ele, dentro de
si o amor apenas crescia, vê-la daquele jeito o deixava cada vez mais louco,
era algo que não se explicava…Prazer, paixão, amor, emoção, todas as enxurradas
de sentimentos em duas pessoas, por ele, aquele momento poderia durar pra
sempre, não se importava, só queria tê-la pra toda a vida.
Sophia e Micael estavam longe de seus pensamentos, e deste
mundo, foi quando enfim, a fila de veículos atrás começaram a buzinar sem
cessar, eram loucos, estava comprovado, mas uma ressalva, eram loucos um pelo
outro, e não havia loucura mais sadia do que essa. Então riram juntos, Micael
soltou-se de Sophia e voltou a sua posição de motorista, ela então se recompôs
no banco, arrumou sua roupa e cabelos, e riram mais uma vez juntos ao lembrar
daquele grande dia que estavam passando. Micael ligou o carro, e outro carro
preto encostou ao lado do seu onde um homem abaixou o vidro e gritou.
-Presta atenção no trânsito- berrou
-Quando tiveres uma esposa tão maravilhosa como a minha
saberás que o trânsito é mero detalhe –Micael respondeu de volta sorrindo para
Sophia. Ela sorriu sem graça do comentário e o encarou.
-Já está me chamando de esposa ?
-Já é minha esposa faz tempo.
-Te amo meu amor.
-Eu também te amo – sorriu – a propósito, nos casaremos
daqui a duas semanas.
Bastou dizer aquilo e pronto, o coração de Sophia parou.
Ela não sabia se sorria, chorava, se emocionava, escolheu apenas beijar Micael
e foram embora pra casa, dessa vez , era sério. De certo eles eram o melhor
casal que a vida podia ter juntado, eram maravilhosos juntos, daqueles casais
que fazem você se apaixonar também, mesmo o namoro não sendo seu. Eram um casal
que emocionava, só não sabiam até quando. Era um casal que mesmo quando
estivessem separados seriam um Casal.
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