Micael Narrando
Algumas coisas definitivamente não deveriam acabar. Eu acho que certos momentos e certas pessoas deveriam ser eternos, simplesmente pelo fato da gente não saber viver sem eles. Acho que se nasceram para serem nossas, deveriam ser, a todo o custo, e nada deveria impedir.
Agora nós estávamos no elevador. Os sussurros e suspiros eram audíveis, e todos os movimentos visíveis. Embora eu tentasse me conter, Sophia sempre me puxava, ela dizia alguma coisa com um tom de voz que era impossível negar, e sempre acabava me rendendo. Já haviam se passado alguns minutos desde que começamos, o elevador estava “parado” em algum andar que não importava, e por mais que tudo estivesse perfeito sempre dava aquele receio pelo lugar estranho onde nos encontrávamos:
-Amor, vamos nos levantar, aposto que estão querendo usar esse elevador- disse tentando tirá-la de cima do meu corpo.
-Mica, esse não é o único elevador do prédio, e outra coisa, está bem tarde, ninguém fica andando pelos corredores a essa hora da madrugada.
-Ninguém? Tem certeza disso? – disse fitando-a
-Nós somos exceção – ela disse e mordiscou minha orelha com um sorriso travesso nos lábios.
-O que você tomou?- perguntei sarcástico- Você certamente não esta no seu normal, não te reconheço.
-Eu que não estou te reconhecendo. Medo não combina muito com o seu perfil sabia?
-E quem disse que estou com medo?
-Você ta olhando de cinco em cinco minutos a porta do elevador como se alguém fosse entrar.
-Não estou fazendo nada. Apenas estou tomando cuidados.
-Ahhh meu amor, não precisa mentir, dá pra ver o medo em seus olhos – Ela disse sorrindo.
-Medo é ? – perguntei prendendo suas mãos no chão – Vou te mostrar o que é ter medo.
-Uiiii. Estou preparadíssima pra ver – ela alfinetou e eu a puxei para um beijo caloroso. Minhas mãos desciam pelo seu corpo escultural analisando cada curva e cada transformação que seu corpo agora passava. Cada extensão era explorada nos mínimos detalhes, minha língua descia por todo o seu pescoço e ela se contraía rindo cada vez mais alto – Isso é nojento!
-Nojento? Desde quando?
-Desde a hora que se tornou molhado – ela riu gostosamente e eu continuei a passar minha língua sobre toda a extensão dos seus seios – Amor, isso faz coceguinhas.
-Você esta muito “reclamona” hoje – me ergui de forma que olhasse os seus olhos.
-Só estou exigente – risos – Nosso filho também acha que está molhado demais.
-Muito engraçado da sua parte – sorri – Porém, eu não vou parar. Você começou, agora aguenta. Hoje você não tem direito de nada, só de ficar quietinha.
-Nossa, você esta muito mal – ela disse dengosa
-Você não sabe o quanto.
-To ficando com medo – ela brincou
-Deveria ficar com muito medo mesmo – disse isso e a puxei para um beijo caloroso. Minhas mãos lhe prendiam em meu corpo, e ela ria gostosamente dentre um beijo e outro. Até que ouvimos um barulho vir de fora do elevador e nos soltamos.
-Acho que tem alguém tentando abrir- Sophia disse apavorada.
-Eu sabia que ia dar nisso – respondi colocando a camisa – Temos que nos trocar agora.
-Você tem um “pé frio” – ela disse rindo e começou a se vestir.
-Juro que se pegarem a gente, digo que você me forçou – brinquei.
-Ah claro, fiz você ser meu “escravo sexual”, como não me lembrei disso – ela respondeu sarcástica – Mas lembre-se que como escravo vai ter que fazer todas as minhas vontades.
-E eu já não as faço ?
-Faz, mais ou menos – ela terminou de colocar a roupa – Mas pode melhorar – brincou.
Quando estávamos terminando de colocar as últimas peças, um homem juntamente com um ferro, abriu a porta do elevador, ele nos olhou assustado tentando entender o que acontecia, e antes que ele pudesse tirar suas próprias conclusões eu me pronunciei:
-Ficamos presos. Esses elevadores não tem segurança alguma, minha mulher está grávida e teve que ficar aqui nesse calor, sabe o transtorno que isso poderia fazer? – Disse firme e percebi que Sophia ria de canto.
-Senhor, me desculpe, mas não recebemos nenhuma notificação de que esse elevador estava quebrado. Apenas nos demos conta que ele subiu e não voltou ao seu posto, por isso viemos checar. Será que podemos ajudá-los de alguma forma?
-Não, tudo bem, já passou – Sophia dizia – Eu já estou bem, por sorte, hoje meu pequeno está bem calmo.
-Que bom senhores. Mais uma vez, me desculpe – o rapaz disse nos retirando do elevador. Se despediu com suas inúmeras desculpas e logo depois eu e Sophia entramos no apartamento rindo.
-Você é louca, nunca mais me impulsione a fazer amor com você num lugar desses – Dizia retirando os sapatos.
-Você fala como se não tivesse gostado – ela disse me pegando pelo colarinho da blusa e selando nossos lábios.
-Sabe que eu amo ficar com você, mas é que….
-Um pouco de aventura não mata ninguém – ela me interrompeu
-Concordo, podemos fazer isso mais vezes ? – brinquei
-Quantas vezes você quiser, e em qualquer lugar que almejar.
-To gostando de ver você assim – respondi mordendo sua boca – Será que isso é causa da gravidez?
-Pode ser…nunca estive grávida pra saber – ela brincou.
-Então, quero te deixar grávida sempre – disse sorrindo.
-Eu aceito – ela disse sorrindo e eu a peguei no meu colo, levando-a para o quarto. Aquela sintonia era algo que nunca se perderia. A gente se entendia, se encaixa, a gente era só amor, e o resto não importava.
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