Narrador
O relógio já marcava onze horas, o horário que as meninas temiam. Elas aguardavam na sala, Sophia, Mel e Lua. Estavam todas sentadas no sofá com os braços cruzados e as pernas balançando em sinal de nervosismo. Eles ainda não tinham decido do quarto e aquilo era uma ponta de esperança, pois achavam que eles tinham desistido, pena que aquele sentimento durou apenas três minutos, já que logo depois apareceu os três na ponta da escada. Chay e Arthur estavam num estilo despojado, uma calça bem colocada, os cabelos alinhados e o semblante mais sórdido do mundo. E Micael estava encantador, sua calça preta deixando à cueca a amostra deixava-o mais lindo, aquela camisa colada em seu corpo bem definido, e aquele sorriso que enlouquecia Sophia de longe. A cena estava engraçada, os três descendo as escadas, e as meninas no sofá como se fossem policiais ou algo do tipo. Ficaram quietos por alguns minutos, até que Chay interrompeu:
-Isso aqui ta parecendo mais um velório. Por favor, ninguém morreu aqui não gente.
-Por enquanto né Chay – Mel ameaçava – Já sabe, se não se comportar….
-Já sei, já sei…Pare de agir como se fosse uma criança, só vão ser alguns lanches - Chay
-Lanches? Desde quando três meninos com os hormônios a flor da pele comem lanche tarde da noite? –Lua –Não nasci ontem.
-Gente dá pra parar de briga, poxa é só uma noite, vamos voltar logo – Micael amenizava a situação.
-Mica tem razão meninas, parem com essas caras, vamos dormir que já esta bem tarde – Sophia dizia se levantando e indo em direção a escada, ela subia com as mãos nas costas e respirando fundo. Micael percebeu a cara que ela fazia, e logo foi atrás dela.
-Amor, amor – ele chamava enquanto ela subia – Sophia…
-Oi Mica…
-O que houve? Ta brava com alguma coisa?
-Não, eu só estou cansada, minhas costas estão doendo demais, e to enjoada… Apenas isso!
-Vou ficar com você então, me deixa avisar para os meninos – ele dizia voltando pra trás.
-Não amor – Sophia segurou seu braço – Pode ir, não há com o que se preocupar, você sabe como ando enjoada ultimamente, é normal.
-Tem certeza ?
-Tenho sim, e estou muito acompanhada aqui em casa. Fique tranquilo e se divirta – Ela disse calma e lhe deu um beijo.
-Volto logo, e deixe a porta do sua quarta aberta vou cuidar de vocês quando chegar.
-Amor – ela disse repreendendo sabendo o que o mesmo pensava.
-Eu só vou dormir com você, não vai acontecer nada, nosso trato esta de pé.
-Sendo assim – ela lhe deu um beijo demorado – Te amo, divirta-se!
-Te amo branquinha – ele respondeu e voltou para sala juntamente com seus amigos. O clima já estava melhor e eles partiram.
Micael Narrando
Nunca passei por uma noite tão tensa quanto essa. Avisar as meninas que saíriamos não foi uma tarefa muito fácil, de primeiro momento achei que seríamos fuzilados, e até pensei que ficaria sem noiva, mas bastou uma conversa e tudo já se resolveu. Eu estava cansado, havia trabalhado muito durante o dia, mas não pude desmarcar o programa. A realidade é que eu estava apreensivo, Chay e Arthur eram ótimos amigos, os melhores que já tive, mas havia um ar neles que me preocupava, era como se aquela noite não seria uma qualquer, parecia bobagem, mas era estranho. De primeiro eles não queriam que eu dirigisse, disse que deveria ir descansando, eu logo concordei, mas me arrependi depois, pois percebi que o lugar era longe demais pra quem só iria num restaurante. Tentei perguntar e a resposta foi:
-Calma Mica, você vai gostar, essa é sua noite, precisa curtir sem pensar em nada – Chay
-Se a Mel ouvisse você falar desse jeito ela na certa te deceparia…
-Você anda muito medroso depois que conheceu a Soph, parece que ela fez uma lavagem cerebral –Arthur
-Vocês não entendem mesmo, e nem espero que entendam tão cedo- respondi
-Estamos chegando, e você vai nos agradecer por isso –Chay
-Espero mesmo, porque isso me custará uma briga feia com Sophia
-Ah nem vem que ela concordou numa boa- Arthur
-Vocês que pensam, a Sophia é assim, finge que ta tudo bem, e depois só eu sei, vai ficar fazendo charme –risos
-Então pode aproveitar hoje, porque pelo visto ficará na seca por um bom tempo –Chay
-Um dia a mais, um dia a menos, não faz diferença – respondi
-Como assim? Vocês estão sem… – Chay
-Até o casamento, é um trato entre eu e ela – disse sorrindo.
-Então essa noite cairá como uma luva pra você – Chay disse e começou a rir juntamente com Arthur
Depois daquela breve conversa o carro parou. Era um lugar desconhecido, numa rua bem movimentada, e tinha milhares de pessoas na porta. Parecia que aquela era uma casa de show, ou um restaurante muito bom pela quantidade de pessoas que ali estavam. Mas não era nenhum dos dois, já que um nome enorme estava iluminando a rua, este dizia “Boate Royal”. Fiquei me perguntando se era ali mesmo que entraríamos, mas não foi preciso perguntar, já que Chay logo foi me dizendo:
-Você precisa de uma boa aventura antes de casar não acha? – disse batendo em meu ombro
-Pelo contrário, não acho necessário – respondi
-Ah cara, que é isso? Vai dar pra trás? – Chay
-Vocês disseram que eram um bar – disse furioso
-Mas é um bar, só que tem algumas atrações, só isso !
-Só isso? Se Sophia me pega aqui dentro to morto.
-Merda! – Chay disse sério – Pode parar de pensar nela por um minuto? Você ta chato demais, só fica falando nela, só vive pra ela, eu nem te conheço mais.
-Você deveria ficar feliz porque aquele velho Micael morreu.
-Quer a verdade? – Chay dizia nervoso – Tem vezes que eu odeio esse seu jeito “depois de conhecer Sophia”. Cara você mudou pra caramba, não saí mais, não comete loucuras. Me diga a última vez que bebeu, ou que traiu Sophia?
-Ta louco, trair Sophia? – disse nervoso- Em todo esse tempo que estamos juntos nunca fiz isso…
-Ta vendo só? O outro Micael já teria ficado pelo menos com umas quatro meninas…
-Gente chega – Arthur amenizava – À noite ta tão boa, vamos entrar, e só.
-Eu me recuso a entrar – disse caminhando rumo ao carro – Sophia esta grávida, devo estar com ela.
-Não Mica – Arthur – Fica aqui, vamos zoar um pouco, jogar conversa fora, esquece as besteiras que o Chay falou.
-Não Arthur, deixa ele ir…Planejamos tanto essa noite, mas ele tem que ir correndo pra noiva dele.
-Ok. Chega – disse fechando a porta do carro com tudo – Eu entro nessa merda !
Disse aquilo e saí em direção a porta da Boate. Eu não queria, mas ver Chay e Arthur me olharem daquela maneira me fez querer fazer algo, e eu fiz. O sangue esquentou, e quando eu vi, já estava lá dentro.
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