terça-feira, 26 de janeiro de 2016

CAP. 184 - 2 TEMPORADA -PONTO FRACO: CASAMENTO II

Sophia Narrando
Eu andava pelo imenso tapete. As pessoas estavam em pé, sorrindo, acenando, chorando. Eu segurava apertado no braço do meu pai, apertava pra ver se tudo aquilo era real, e também porque sentia que a qualquer minuto poderia cair. As lágrimas começaram a rolar rapidamente, eu não me preocuparia com a maquiagem, e nem como ficaria meu rosto depois, tinha passado por tanta coisa que chorar era uma forma de dizer “Obrigada destino”. De longe visualizei minhas amigas no altar, minhas madrinhas, os nossos amigos, e aquilo me encheu de emoção. Micael ainda estava longe de mim, mas eu podia sentir sua alegria e seu perfume mesmo a metros de distância. Ele estava lindo, encantador, e o sorriso estampado no rosto mostrava que sim, estávamos perto de ficarmos juntos.
Enquanto a música tocava, voltei ao tempo. Voltei a ser a Julieta numa escola, perdida e desolada pelas decisões dos meus pais. Voltei a ser a menina inocente, aquela que seguia as regras e nunca tinha feito algo que realmente quisesse. Voltei ao tempo, e vi Micael, o menino que odiava, ao mesmo tempo em que meu coração se dilacerava com tanto amor. Lembrei-me da sala de aula, da cena de teatro, do elevador, dos dias no apartamento, do primeiro beijo. Lembrei-me da primeira vez, e todos os toques que se consumaram em todo o nosso espaço de tempo. O nosso primeiro filho, a nossa alegria, o casamento e a raiva por não conseguir fazer nada, a perda que me levou ao buraco durante meses da minha vida. Das reviravoltas que tivemos que dar, dos dias no convento tentando sufocar tanto sentimento, do recomeço num barco, e nossa nova história. Eu andava pelo tapete lentamente e vivia tudo em minha mente de novo, como num filme. A dor que senti por não conseguir gerar, as ameaças que veio para me desolar e todos que quiseram nos parar. Tinha todos os motivos pra estacionar, mas resolvi caminhar. Tudo tinha ficado pra trás, numa época da minha vida que jurava pra mim mesmo não mais pensar mais.
Agora eu olhava pra frente e via Micael mais próximo a mim, quando me dei conta meu pai já me deixava, e em seu lugar Micael ficava, com aquele sorriso bobo de sempre. Ele então beijou minha testa, e logo depois ajoelhou, depositando um beijo em minha barriga. Faltava pouco para chama-lo eternamente de meu.



Nenhum comentário:

Postar um comentário