Sophia Narrando
Tinha perdido a conta de quanto tempo estava lá. Era como se o tempo não passasse, e cada momento revelasse a real identidade de Micael. Eu me segurava para não chorar, me atentava em fazer todos os movimentos seduzindo-o cada vez mais. Em minha mente torcia silenciosamente para que ele parasse a qualquer momento, mas isso não acontecia, cada vez que dançava conforme a música, mais seus olhos ficavam fixos em mim, como se naquele momento nada mais existisse, somente nós dois. Eu achava que Micael nunca mais olharia pra alguém como ele me olhava, mas naquele momento eu tinha a certeza que estava enganada, Micael olhava para qualquer pessoa daquele jeito, como fui enganada.
Quando fui me ajeitando para pegar seu membro e assim ter a certeza do que ele faria, ele simplesmente respirou fundo e disse:
-Me desculpe, mas pode se retirar ? – Ele perguntava educado, enquanto a música tocava – Sinto que já fez o seu trabalho, meus amigos devem ter te pagado bem pra isso, mas agora pode se retirar. Já que cumpriu com o seu dever.
Ele disse aquilo e com suas mãos me afastou. Olhei atônita para o que acontecia. Quando conferi ao meu redor, vi que Lua e Mel dançavam para alguém desconhecido, cada bailarina agora, se concentrava em encantar alguém com seus corpos exuberantes e seus trajes íntimos. Me perguntei o porque da rejeição de Micael, e soltei um sorriso ao conferir que ele realmente tinha me REJEITADO. Precisava conferir se aquilo não era apenas encenação. Então me aproximei dele mais uma vez, e fui em direção ao seu pescoço, ele nunca resistira, sempre se rendia quando fazia aquilo, mas dessa vez ele me parou com a mão de novo, me olhou sério e disse:
-Qual a parte que você não entendeu que a brincadeira parou? Você quer quanto para me deixar sozinho e em paz ? – disse firme pegando sua carteira – Eu só aceitei essa besteira de vir aqui porque tenho dois amigos idiotas, mas você não precisa fazer isso, vá embora, ver seus pais, sua família, que seja, toma isso. Acho que esse valor cobre o tratado entre você e os meninos não é?
Não respondi. Permaneci calada, ele reconheceria minha voz. Apenas fiz que sim com a cabeça.
-Pronto. Problema resolvido – ele me entregou o dinheiro – Aposto que eles te pagaram para transar comigo, então não se preocupe, todo o dinheiro está aí, e agora você não precisa se deitar comigo. Passar bem…
Ele disse isso e se levantou, me encarou por alguns minutos como se me conhecesse. Abaixei a cabeça em protesto. Ele começou a me fitar mais uma vez, confesso que minha vontade naquele momento foi de agarra-lo pra mim. Estava furiosa pelos momentos que ele se deixou levar, mas também, podia ver o quanto Micael era homem, homem até demais pra mim. Foi quando ele me olhou e disse:
-Seu perfume – arqueou a sobrancelha – e algo em você me lembra ela. Devo estar louco de saudade que estou até vendo coisas, boa noite. –Ele disse e saiu, e eu fiquei ali, tentando não desabar.
Quando dei por mim ele sumia dentre a multidão, não dava pra simplesmente sair da pista, e era impossível se locomover no meio de tanta gente. Então decidi que era a hora de terminar. Me movi até Lua e Mel que nessa hora já haviam dado uma lição daquelas em Chay e Arthur. Eles a haviam reconhecido enquanto as mesmas dançavam para dois outros rapazes, consegui ver a cara de fúria de ambos, eles “espumavam” raiva e quando ia abrir a minha boca eles apareceram em nosso meio segurando as duas pelas mãos:
-Vocês são loucas ou o que ? – Chay dizia nervoso – Merecem uma boa lição quanto a essa cena não?
-Seu retardado, olha só quem veio parar numa boate, foi eu né? – Mel protestava
-Foi você sim, pelo menos eu apareci vestido – ele dizia
-Enquanto você se esfregava nas vacas, isso é muito justo.
-Calem a boca – Lua protestava – Já vimos o bastante aqui hoje, quero ir pra casa.
-Ah sim, vocês aparecem seminua para um multidão de homens, e nós que somos errados – Arthur
-Deveria ter transado com algum deles, certamente seria melhor do que falar com você – Lua
-Lua – Arthur dizia firme – Vamos pra casa.
Não quis entrar na briga que acontecia ao meu lado. Só queria sair dali o mais rápido possível. Eles vinham atrás de mim discutindo, falando alto, se alfinetando, e naquele momento eu estava repensando sobre minha ideia de aparecermos ali. Andei o mais rápido que pude até o estacionamento e vi Micael encostado no carro. Aproximei-me mais um pouco e me surpreendi ao ver que ele não estava sozinho. Alguém estava conversando com ele, alguém que eu reconheci no primeiro instante em que o vi. Era a maldita dançarina.
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