sexta-feira, 3 de julho de 2015

CAP. 162—— 2 TEMPORADA -PONTO FRACO: TUDO PODE MUDAR DO DIA PRA NOITE

Micael Narrando
O clima dentro da boate estava tenso. A dançarina desconhecida, mas que minha mente me fazia questão de lembrar que ela não era tão estranha assim, me provou ao máximo, até que consegui me libertar. Fora difícil tal prática, afinal, algo nela era convidativo, como se ela já pertencesse a mim, mas resisti. Em pensar que um passo em falso levaria Sophia e meu filho para longe da minha vida, mas eu não trocaria tudo por uma aventura a toa, e saí da boate o quanto antes.
Tinha decido esperar os meninos em frente ao carro, até que os mesmos tivessem cansados da diversão e decidissem voltar pra casa. Respirar um pouco me faria bem. Pena que não foi do jeito que imaginava. Enquanto respirava aliviado pelo que havia recusado lá dentro uma pessoa se aproximou de mim, e eu sabia que aquela noite não havia terminado.
-Saiu cedo demais para quem estava numa despedida de solteiro – Nath dizia se aproximando de mim
-Eu não estava numa despedida de solteiro. Meus amigos estavam.
-Não foi o que me pareceu lá dentro – ela sorriu – Alguém mexeu muito com você lá não é mesmo?
-Não sabe o que esta dizendo – respondi colocando as mãos no bolso.
-Talvez a loirinha não seja pra você. Dá tempo de desistir ainda.
-E talvez você esteja bêbada demais pra poder falar comigo. Quero ficar sozinho, tem como?
-Aqui fora? – ela balançou a cabeça – Prometi que ia fazer meu show completo, foi pra isso que me pagaram…
-Com assim pagaram à você também? – perguntei confuso – Pensei que tinham pagado aquela moça…
-Shiuuuu – ela colocou as mãos em meus lábios – Curta o momento – Ela disse e começou a se despir em pleno estacionamento. Onde aquela louca estava com a cabeça ? Segurei-a com minhas mãos impedindo que ela continuasse – Pare de resistir. Seus amigos me disseram que esta de seca por uns tempos, curta o momento então.
-MEUS AMIGOS NÃO SABEM NADA SOBRE MIM – Disse
-Sabe o bastante para me contratarem – ela dizia já sem a parte de cima da blusa
-Saia daqui agora – segurei em seu braço a tirando da minha frente – E cale a boca – disse firme até que fui interrompido por uma voz feminina que ecoava atrás de mim
-Não ouviu ele sua piranha – a voz dizia – Cale a boca !
-Ora, ora, ora, se não é a dançarina mascarada que encantou o moreno aqui. O serviço aqui é meu viu?
-Se afaste dele.
-Quem é você pra falar o que devo ou não fazer ?
-Quem sou eu ? – a moça disse e aquela altura do campeonato eu já estava assimilando tudo o que acontecia – SOU A ESPOSA DELE, E MÃE DO SEU FILHO – disse tirando a máscara que usava.
Naquele momento passei a entender muita coisa e ao mesmo NADA. A máscara retirada deixava a amostra o rosto doce de Sophia que agora ganhava uma cor vermelha revelando sua raiva. Não conseguia compreender aquela cena toda. Foi nesse momento que encaixei as coisas. Ela dançando até mim, se entregando, me fazendo se entregar a cada movimento da música, eu completamente vidrado nela e sem entender o porque aquele corpo mexia tanto comigo, ela sempre quieta, com aquele olhar tão penetrante agindo como se conhecesse as partes mais sensíveis do meu corpo. Agora fazia sentido toda a ligação que existiu minutos antes na boate. Em todo o momento, a moça que me seduzira era apenas aquela que eu já era apaixonado há tempos, era Sophia, sempre fora ela, desde o começo.
-Ahhh só podia ser, a noiva que não dá para seu marido e entrega ele de bandeja para a boate para que outras venham satisfazê-lo não é mesmo?
-Sua ….- Sophia não terminou de falar e sem demora “avançou” em cima da Nat. Suas mãos deram-lhe uns bons tapas, e logo depois se encontravam em seus cabelos. Nath fora pega de surpresa, e por isso mal sabia reagir. Eu não podia estar vendo aquilo, ela estava grávida, carregava nosso filho, e agora se prestava a tal prática. Foi aí que a segurei.
-Sophia, chega, chega, chega – disse segurando-a pela cintura, enquanto ela se rebatia.
-Eu vou mostrar pra ela quem aqui não te satisfaz – disse firme – Me solta Micael.
-Não, pare com isso - Foi nesse momento que Arthur e Chay apareceram para segurar Nath, enquanto Lua me ajudava com Sophia. – Abre a porta do carro Mel vamos coloca-la aí dentro, me ajude Lua.
Com muito sufoco conseguimos colocar Sophia dentro do carro, e os meninos mandaram Nath embora. Lua tentava acalmar Sophia que a essa altura já suava de raiva, e reclamava sem parar. Eu queria entender a coisa toda, mas estava um tumulto. Mel gritava com Chay, Arthur reclamava de Lua, e Sophia não parava de xingar Nath de “vaca”. Eu não sabia o que fazer, estava perdido, sem saber quem socorrer primeiro. Foi aí então que tive que dar um basta:
-CALEM A BOCA – disse firme – CHAY E MEL, LUA E ARTHUR SE TRANQUEM NUM QUARTO E SE RESOLVAM. NINGUÉM VAI RESOLVER NADA COM ESSES GRITOS. OS MENINOS ERRARAM MUITO, MAS VOCÊS TAMBÉM FIZERAM UMA COISA QUE EU NEM ACREDITO ATÉ AGORA. CARAMBA, MINHA MULHER GRÁVIDA VEIO PRA UMA BOATE. SE ESTOU NERVOSO ? É CLARO QUE ESTOU, MAS AQUI NÃO É HORA, NEM LUGAR DE CONVERSAREM. PEGUEM MEU CARRO E VÃO PARA CASA DE SOPHIA, EU E ELA SEGUIREMOS NO OUTRO CARRO E NÃO DORMIREMOS EM CASA. BOA NOITE.
O silêncio finalmente reinou e cada um foi para seu lado. Eu entrei no carro, coloquei o cinto de segurança e olhei sério para Sophia que se mantinha com a cabeça  baixa e os olhos marejados. Eu sentia raiva naquele momento. Raiva ao saber da loucura que tinha acontecido, e ao papel que ela tinha se prestado a fazer. Meu sangue fervia de raiva, e queria uma explicação, mas o meu outro lado queria apenas coloca-la entre meus braços e proteger ela e nosso filho.
-Pra onde vamos ? – ela quebrou o silêncio – Quero ir pra minha casa.
-Sinto muito, não vai dormir na sua casa hoje. Vamos pra outro lugar.
-Micael me deixe em casa – ela disse gritando
-Dá para ficar quieta ? – respondi no mesmo tom – Perdeu o direito de querer as coisas quando se prestou a vir aqui.
-E você é o “santo” da história né? Quem vê pensa que não tirou umas “casquinhas” da noite. Eu só vim aqui conferir se era uma despedida de solteiro mesmo – ela respirou fundo – Como pode fazer isso comigo?
-Eu não fiz nada – dei partida no carro – Se você me conhecesse, ia saber.
A conversa terminou ali. Fomos o trajeto inteiro sem dizer uma palavra. Sophia passava o tempo com as mãos em seu ventre, como se tentasse se proteger de mim. Eu a olhava de canto, com raiva, tentando entender porque aquele filho era mais dela do que meu. Afinal, ela podia estar com ele agora, e eu estava apenas no banco do motorista, longe dela, longe dele. Sendo apenas eu. Tentei conter meus pensamentos e minha ponta de raiva. Sim, muita raiva. Eu havia ido a uma boate, mas honrei minha palavra de noivo, e em nenhum momento fraquejei. A única coisa que me tirou do sério foi à dançarina, que a essas alturas estava do meu lado, e só. Diante disso, tive uma conduta que nenhum homem teria. Mas Sophia, bem, ela merecia uma lição. Merecia entender o quanto fora infantil em fazer aquilo, e entenderia.

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